segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sangre di San Gennaro

Já eram 15:30 depois que terminei de ajeitar minhas coisas no quarto e de testar a conexão do netbook. Eu estava no ponto pra minha primeira refeição na Itália! Saí em busca de pasta, pasta, pasta!

Perguntei à Vasso uma indicação de restaurante nas redondezas e ela me disse que, por ser Domingo, a maior parte estava fechada. No entanto, tinha um restaurante familiar de um hotel ali perto. Era bem perto, na própria Piazza Garibaldi.

Quando cheguei, vi poucas pessoas no salão, mas todos vidrados no telão que passava um jogo do Nápolis. O garçom já me conduziu dizendo que, pela hora, nem todos os pratos estavam disponíveis.

Pedi então um Gnocci alla Sorrentina (molho de tomate, manjericão e mussarela de búfala). Pra beber, uma meia jarra do vinho da casa. Enquanto esperava, pedi uma entrada que era mussarela de búfala e presunto. Veio um prato enorme com uma bola gigantesca de mussarela, presunto de parma e pão italiano. Cheguei à sábia conclusão de que coisa boa, na Itália, não precisa de sobrenome. O prato era pão, queijo e presunto!

Depois da lauta refeição, parti pra tentar ver o Duomo. Já tinha lido no meu guia que dentro ficava a Catedral de San Gennaro, padroeiro da cidade. Lá se comemorava 3 vezes ao ano um "fenômeno" quando o sangue coagulado de San Gennaro se liquefazia.

Depois de 25 minutos de caminhada, onde parei estrategicamente pra tomar um gelato de Amarena (maravilhoooooooooooooooooooooooso!), cheguei na imponente catedral. Entrei meio que achando que seria bonito e ponto final. Bem, eu me enganei. A catedral é muito linda!! O interior com aquele pé direito altíssimo, aqueles arcos góticos maravilhosos e um domo que parece realmente ser uma espiadinha no Céu.

Comecei a percorrer as laterais, pra ver as obras e as capelinhas mais escondidas. De repente, vi um turista puxar correndo alguém pelo braço, em direção ao que parecia ser uma capelinha. Fui curiosa atrás e me deparei com um padre falando pra uma dezena de pessoas, dentro de uma capela que parecia mais uma caverna do pirata, de tanta riqueza faiscante.

Fui sentando bem na frente, quase que hipnotizada por aquele blablablare, blablablare, blablablare sonoro. Ele trazia nas mãos um artefato dourado (Rose, me ajuda aí. Qual será o nome disso#), parecido com um esplendor e, bem no centro, uma célula de vidro. Dentro da célula que era redonda, tinha uma espécie de forma menor que parecia conter uma espécie de líquido escuro, em tom marrom avermelhado.

Eu tinha chegado justamente na hora em que estava sendo apresentado o supostamente liquefeito sangue de San Gennaro!

Depois de narrar a história do fenômeno que se repete em maio, setembro e dezembro, o padre se aproximou da nave da capela. Quase que imediatamente, o povo, que a essa altura já devia ser de uns 40, correu pra fazer uma fila. Como boa brasileira que sou, corri também pra garantir meu lugar! Numa movimentação igual à da Comunhão, o padre estava encostando o coração de vidro na cabeça das pessoas, como uma bênção. E eu recebi a minha!

Participei com respeito de todo o ritual e rezei com fé, pedindo uma proteção por que minha família muito agradeceria. Ouvi as histórias do Tesoro di San Gennaro (nome da capela) e fiquei super arrepiada com a cripta, situada logo abaixo do altar principal, onde supostamente repousa a cabeça do santo (ele foi decapitado).

Foi uma experiência e tanto! Deu pena de estar viajando sozinha nessa hora. Era a situação perfeita pra passar um jantar inteiro conversando. Sonhei a noite inteira com isso. Ainda bem que tem o blog!!!

Cafofinho napolitano













A Chegada

Meu voo fez escala no aeroporto de Paris. Só uma conexão rapidinha, mas já foram música aos meus ouvidos aqueles sons vindos de biquinhos que não fazem biquinho e que eu não entendo nada.
Tomei um susto com o frio de 11 graus, mas nada que o super sobretudo trazido pelos meus pais, de Gramado, não desse conta!
A imigração nem tomou conhecimento de mim. Troquei meia dúzia de palavras com uma simpática moça que conversou naturalmente em Inglês e me disse que a Itália é muito legal.

Consegui passar incólume pelo Duty Free, mesmo com os perfumes, chocolates e vinhos fazendo o canto da sereia.

Entrei num avião bem menor do que o Boeing da vinda, desta vez repleto de italianos. Capotei assim que sentei, exausta pelas 10 horas sem sossego ou sono.

Chegando em Nápolis (22 graus, bem mais quentinho!), fui direto pro centro de informações, conforme minha amiga Rose tinha orientado. As mocinhas simpáticas falavam Inglês e me mostraram como pegar o Alibus (era aquele mesmo, Clarice!) pra Piazza Garibaldi. Comprei a passagem no próprio centro e fui pro ponto, onde o ônibus já estava parado. Perguntei "Piazza Garibaldi#", ao que o motorista respondeu alguma coisa quase inteligível, mas acenando que sim com a cabeça.

Menos de 20 minutos, o moço gritou "Piazza Garibaldi". Tomei um susto! A praça era enorme!! Como achar o número 26 naquela imensidão, com mala e mochila# Pois era quase em frente. Dez vivas pra Rose que me deu a super dica!

Na recepção, a mocinha que disse se chamar Vasso (é grega), conversou em Inglês numa boa. Conduziu-me pra um outro bloco, passando por uma garagem aberta e subimos por um elevador muito, mas muito velho. Abriu uma portona enorme que dava acesso a vários quartos. O meu era o 104. Simples, honesto e confortável, fui com a cara dele de primeira. Só não gostei do fato de não ter tampa no vaso, situação que também constatei em outros lugares em Nápoles.
Por que será que os napolitanos não gostam de um troninho#

Ares da Europa - parte 2

Antes de mais nada, vamos combinar que este blog é de uma deslumbrada pela experiência que está vivendo. Então, não vou tentar dar uma de blasé, porque é justamente esse deslumbramento que traz um olhar divertido sobre esta viagem. Então, vamos lá!

Logo que disponibilizaram a televisãozinha que fica na frente de cada assento, as adols ao meu lado se puseram frenéticas a ver clipes, sitcoms e alguns filmes. Eu já estava abrindo o livro do Gombrich, autor de arte bem bacana que estudei na faculdade. A nobre intenção era relembrar o que tinha visto na faculdade sobre vários estilos de arte. Foi ver o menuzinho na tela da adol à direita, que mudei de ideia num segundo.


Fucei um pouquinho e logo achei "A Single Man", um filme maravilhoso que eu tinha perdido quando passou no cinema. Pensei, "Uau, mas saiu de cartaz agorinha!!! Que máximo!!!". Foi uma hora e quarenta de felicidade extrema, me sentindo poderosésima de estar vendo aquele filme a caminho pra zorópa! Pra completar a perfeição, reparei que algumas cenas constrangedoras fizeram as adols calarem um tiquinho a boca.


Daí, veio a hora do jantar! O meu corredor foi servido por um comissário francês carequinha muito gente boa. Ele interagiu comigo em Inglês sem o menor problema. Perguntou "Beef or chicken, madam#", eu respondi "beef". Pergutou "And what would you like to drink, madam#". Foi quando eu olhei pro carrinho e vi uma garrafa verde sorrindo pra mim. Sorri de volta e respondi "Champaign!".


Ah, nada como os ares da Europa. Ainda mais se for Air France.

Nem tudo é perfecto.

A rede wi fi daqui é uma droga. Cai o tempo tod*

Ares de Europa - parte 1

Depois de muitos perrengues pra deixar o brinquedo recém adquirido em ponto de bala pra levar na viagem, segui com meus pais pro aerporto.

Na fila pro check in, bem a nossa frente, tinha 2 casais de franceses bem novinhos. Fechei os olhos me deliciando com aquele idioma tão lindo e que eu não entendo absolutamente nada. Respirei fundo antevendo meus próximos dias, quando aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh! Os caras fediam muito!!! Imaginaram o perrengue de achar que poderiam sentar perto de mim# (não estou conseguindo usar a interrogação, então vamos instituir o "#" como código temporário pra ela)

Bem, não sentaram. Mas em contrapartida, ficou um grupo de adolescentes em cócegas. Eu, que sempre me vangloriei de nunca ter tido problema pra dormir em viagem, amarguei 10 horas acordada, ouvindo gritinhos e tomando cutucões da adol ao meu lado.

Mas antes isso do que os fedidinhos...

Cheguei!!! E cheguei conectada!!!

Esse post era pra ter ido no dia 2, quando cheguei, mas minha bateria acabou e, sorte das sortes, a fonte do netbook não era compatível com a tomada. Uma vez que era domingo, só hoje, segunda, pude comprar o adaptador necessário e, maravilha! Tô conectada de novo!

Sim, você leu "netbook". A ideia ficou martelando na minha cabeça desde o fim da sexta, quando a Clarice, no trabalho, me disse que tinha comprado um Samsung por um preço bastante plausível. Ri pra caramba quando ela disse que era rosa! Nada contra, tem tudo a ver com ela, mas imaginei o netbook da Barbie.

Pois bem, Sábado de manhã, já com malas prontas, arrastei a pobre da Silvia pro shopping e, sob a consultoria de um querido, escolhi meu netbook. Samsung, preço plausível e... rosa! Era a única cor que tinha. Agora sou eu, Clarice e Barbie conectadas com todo o charme que uma cor "diminina" pode oferecer.