sábado, 11 de junho de 2011

Florença: quarto dia - 8/6

Acordei bem cedinho porque precisava estar às 8:30 na porta do Uffizzi, que foi o único horário de manhã disponível pra reserva. Apesar de ter dormido pouco, estava bem disposta, mas não deu tempo de comprar nada pra comer no caminho, por causa da pressa. Dei sorte de não ter chovido e também de o ônibus estar paradinho na fermata, quase que me esperando.

Depois de uns 20 minutos no ônibus, saltei na Piazza San Marco e fui andando até o Uffizzi. É um chãozinho, mas cheguei rápido. As meninas chegaram 5 minutos depois. Entramos direto, sem fila alguma e começamos. Vimos duas ou três salas e resolvemos lanchar na cafeteria do museu. Pedimos alguns sanduíches. Eu tomei capuccino e as meninas chocolate quente. Ficamos no terraço porque na tavola se pagava 5 euros a mais por pessoa. Aliás, isso é um costume italiano que, pra quem não conhece, vale ficar atento numa viagem. Esses cafés cobram para que se sente à mesa. Por isso, o preço é separado para balcão e mesa.

Eu havia almoçado nesse Café no ano passado, com a Sandra e a Cissa, mas não lembrava de que terraço tinha uma vista pra lateral do Pallazzo Vecchio, pro Duomo e pros telhadinhos lindos de Firenze. O problema é que também tem um muro alto e tem uma cordinha impedindo uma maior aproximação. Aproveitamos o que pudemos do visual pra tirar algumas fotos.

Voltamos pro museu e recomeçamos a visita. Desta vez, além de babar da mesma forma que no ano passado pros Boticcelli, Rembrandt, Michelangelo e da Vinci, consegui reparar melhor em alguns outros pintores, como o Bronzino. Tinha duas obras dele muito interessantes, expostas uma de costas pra outra, encostadas, como se fossem duas faces de uma mesma. Eram dois momentos de 3 elementos: um anão nu, uma coruja e um gavião. Na "primeira", a coruja estava pousada no braço do anão, que estava virado bem de frente, e um gavião voava ameaçadoramente perto. Na "segunda", o anão já estava de costas, olhando por cima do ombro, ainda com a coruja sobre seu braço esquerdo e segurando a carcaça do gavião morto com a mão direita. Não lembro o nome da obra, mas vou pesquisar quando voltar.
Ano passado, quase todos os Caravaggios estavam cobertos pra uma exposição em andamento. Desta vez, estavam todos expostos, pra minha grande felicidade! Vi o Bacco, cujo poster eu tenho no meu quarto e revi o escudo de Perseu com a cabeça da Medusa. Lindo!

Outra obra que adorei rever e que estava bem ao lado dos Caravaggios foi a Judith cortando a cabeça do (?? esqueci!!). É super impressionante, com direito a sangue espirrando e tudo. Mais bacana ainda é saber que foi uma mulher, Artemisia, a autora. A Nandi me contou a história sobre que fala o quadro. A Judith amava aquele homem, mas teve de matá-lo pra libertar seu povo. Lembrou-me de que na Galeria Pitti tem a mesma Judith, também da Artemisia, fugindo com a cabeça, com uma expressão de desespero, como se estivesse na dúvida sobre se havia agido corretamente. Fiquei refletindo sobre isso. Na pintura do Uffizzi, ela não tinha expressão de dúvida nenhuma. Suas feições eram de quem está mega determinada e disposta a ser bem sucedida no que está fazendo. Fiquei viajando se ali não seria a própria Artemisia se manifestando contra aquele bando de machistas e egocêntricos que a rodeavam. Pra completar minha interpretação, o decapitado não está com a expressão de quem está conseguindo resistir. Pelo contrário, ele parece totalmente dominado. Se minha interpretação procede, considero bastante justificável porque, se hoje em dia, a gente já pena com a vaidade masculina, posso imaginar o que uma artista mulher deve ter sofrido no meio de todos aqueles homens, que antes de qualquer coisa, eram gênios. Mandou bem, Artemisia! Rs. Vou dedicar especial atenção a sua Judith fugindo com a cabeça do sujeito, quando for ao Pitti novamente este ano.

Antes de irmos embora, paramos na lojinha, onde comprei 6 cartões com imagens do teto do Uffizzi, que são um show à parte. Minha ideia é fazer um painel horizontal com eles. Só não tenho a menor ideia de onde vou pendurá-los, pois os souvenires da viagem do ano passado já ocupam todas as paredes. Também comprei um livro do Uffizzi e do Caravaggio, meu querido!

Ao sair, novamente um dilúvio. Esperamos alguns minutos até dar uma aliviada. Fomos pra Piazza della Signoria e ficamos fotografando as réplicas de estátuas famosas. De repente, outro dilúvio. Todos foram se abrigar junto das estátuas e o lugar ficou mega lotado. Mas a vantagem é que (neste dia, pelo menos), com a mesma rapidez com que a chuva chega, ela vai embora. Assim que a estiada veio, saímos na direção do Accademia. No meio do caminho, paradinha estratégica pra uma fatia de pizza e una copa de vino rosso. As meninas pediram penne ao pesto.

Depois do "pré-almoço", vimos algumas lojinhas de souvenires ali perto e chegamos 14h em ponto no Accademia. Mesmo com o ingresso caro pra um museu relativamente pequeno, vale a pena pagar os 14 euros pra ver aquela tribuna linda com os Prisioneiros e o David ao fundo. Assim como no ano passado, a Nandi pregou que aquela era uma obra totalmente "comercial" e que não representava em nada a grandeza do mestre Michelangelo. Concordo que os Prisioneiros são o máximo, mas, enquanto ignorante em Artes que sou e, totalmente suscetível aos apelos comerciais, não tenho como não amar o David.

Desta vez, eu estava convicta na intenção de tirar uma foto dessas obras. Como a Adriana também estava, ficamos pensando diversas estratégias, até porque a câmera dela é daquelas profissionais e nada discretas. A fiscal deve ter sacado nossos planos maléficos porque resolveu ficar olhando fixamente pra gente, junto com uma outra que nos checava de tempos em tempos. Resolvemos ir pro fundo da tribuna, onde não tinha nenhum chato por perto e mandamos ver nas fotos (sem flash, obviamente). Ficaram um pouco tremidas (medo de tomar uma escovada dos italianos), mas a ideia era apenas registrar o momento e, isso, conseguimos.

Olhando o David, a Cristina fez um comentário bem pertinente. Falou que dá uma certa ansiedade admirar pessoalmente essas obras que a gente passou a vida inteira vendo só em livros. A sensação é que se tem de guardar cada detalhe pra se lembrar depois, porque aquele momento é muito especial e pode não se repetir. Concordei plenamente com ela e me lembrei do livro "Comer, Rezar e Amar", onde a autora relatava a história de uma amiga, que, ao chegar em um lugar muito lindo, ficava angustiada com a dúvida de se algum dia ainda voltaria ali. Ela esforçava muito pra convencer a amiga da ideia de que, afinal de contas, já estar ali era um momento de felicidade. Era "O" momento. Acho que todo turista encantado sente um pouco isso. Ou seja, todo turista que vai à Itália, pois é impossível não se encantar por aqui. É a antecipação da saudade que a gente já sabe que sentirá.

Depois de ver mais algumas obras, fomos embora pra feirinha de San Lorenzo, pois queríamos aproveitar a estiada da chuva. Mas foi só entrar em outra loja que outro temporal desabou. Acabamos comprando os casacos de couro que queríamos naquela loja mesmo, com um brasileiro chamado Átila, morador de Firenze há dez anos. Como não dava nova estiada, acabei enfrentando o aguaceiro em busca de algumas echarpes. Pois foi só o tempo de eu ensopar do joelho pra baixo e a chuva parou de vez naquele dia.
Terminamos de ver a feirinha sob um sol delicioso e resovemos almoçar, pois já eram 17:30 da tarde. Acabamos indo no Nuti novamente, pois era ali perto e as meninas queriam provar alguns pratos que haviam visto no outro dia. Tomei uma sopa chamada Ribollita, feita de vegetais e pão, seguida por um risoto de camarão. Não preciso dizer mais nada, né? Mais tarde, o Nelson me explicou que eu havia comido o que são considerados dois primo piatti e não um primo e um secondo. Pois, tudo bem, afinal primo + primo dá quase uma família. O importante é manggiare!

Amanhã, vou a Assis. As meninas, a Roma.

Bacione!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Florença: terceiro dia - 7/6 - fotos

A conexão tá muito ruim! Vai só uma fotinho pra não perder a medida.

Florença: terceiro dia - 7/6

Já chovia quando saímos, eu e Nandi, pra pegar o ônibus. Havia combinado de encontrar a Cristina e a Adriana no Plus Florence, albergue em que fiquei no ano passado e que recomendei pras duas. Peguei um ônibus lotado! Sabia que tinha de saltar na Piazza della Independeza, mas, pra variar, não lembrava que direção tomar da fermata. Depois de rolar uma perdidinha básica, achei meu rumo e encontrei as duas já do lado de fora, me esperando.

Fomos tomar café numa pasticeria lá perto (meu segundo do dia), onde dei uma atualizada rápida no blog, e seguimos pra comprar as passagens de ônibus e trem. No caminho, as meninas se encantaram com os pinóquios de uma banquinha. Compraram com medo de não encontrá-los mais. Em 10 minutos, perceberam que pinóquios de Florença são uma das marcas registradas da cidade. E eu ganhei um chaveirinho pinóquio de presente! Oba, delicioso motivo pra aposentar a tartaruguinha de croché de il Falecido II, que há tempos já merece um descanso.

Chegamos rápido à estação de Santa Maria Novella e até que reconheci com facilidade os pontos de referência. Comprei passagens de trem pra Verona, Assis e elas pra Roma e Veneza. Do lado de fora da estação, em uma companhia de ônibus, compramos juntas as passagens pro Pullman de Siena. No outro extremo da estação, atravessando a avenida, encontramos a companhia que fazia o trajeto pra Lucca. Desta vez, comprei pra mim e Nandi. Isso tudo demorou cerca de 2 horas e, quando estávamos terminando, o telefone da Cristina tocou. Eram os pais das duas querendo dar os parabéns à Adriana. No meio daquela confusão toda, tanto ela quanto Cristina se esqueceram do aniversário. Saímos dali e brindamos com gelatos comemorativos. Eu de pistacchio e elas de nocciola. Desse jeito, ninguém sente falta de vela. Rs.

Fomos até a Igreja de Santa Maria Novella, aonde tiramos algumas fotos e depois seguimos pra reservar Accademia e Uffizzi pro dia seguinte. Eu me senti a própria cicerone de Florença, guiando as duas e apontando os melhores lugares pra se ver. Discípula incondicional da Nandi, a sardinha foi toda puxada pros museus, mas até que conseguimos balancear bem as visitas com comprinhas, lanchinhos e afins.

Depois de comprarmos as entradas (o Uffizzi ficou pra 8:30 do dia seguinte... ai...), fomos almoçar e, no caminho, paramos em algumas lojinhas de couro. Convenci as duas a aguardarem o dia em que iremos na Feira de San Lorenzo, pois foi onde comprei o meu lindinho caramelo no ano passado e saiu muito mais em conta. Mas até eu tive dificuldade em resistir com tantas peças em tons diferentes e texturas maravilhosas.

Almoçamos no Nuti, pertinho do Duomo, aonde o Nelson trabalhou e aonde ele e a Nandi haviam me levado no ano passado. Reconheci o garçon paraibano e, antes mesmo de falar que eu estive lá em maio de 2010, ele exclamou "Eu conheço você. Você já veio aqui, não foi? Não tomou sopa minestrone?". Com essa declaração, fiquei com medo de estar virando lenda nos restaurantes da Itália. Será possível que estou comendo tanto assim?!!!! Daí lembrei que tinha ido com Nandi e Nelson, que era ex-funcionário e cumprimentou todo mundo. Relembrei o fato e o rapaz felizmente recordou da referência. Graças a Deus! Fiquei com medo de ele emendar "E depois da sopa, você comeu...".

Finalmente, pude experimentar a famosa bisteca fiorentina, pois ela tem de ser dividida por causa da quantidade. Nós três a comemos com espinafre e salada de contorno. As meninas acharam um pouco cru demais e o próprio maitre sugeriu de cozinhar mais um pouco. Voltou no ponto. Hum, com vinho da casa e pão ciabatta de entrada... delícia!

Dali, a idéia era ir pra catedral de Santa Maria de Fiori e subir ao Duomo, mas depois de um tempinho bom admirando aquele teto afrescado lindo da Igreja, um novo dilúvio resolveu cair sobre Florença. Acabamos decidindo ir pra um lugar sem fila como o Museu Opera del Duomo, meu preferido, e só mais tarde tentar novamente subir à cúpula.
Foi muito emocionante rever (Rose, lembrei do seu post, que amei!) a Cantoria do Lucca della Robia, a última Pietà do Michelangelo e a minha maravilhosa Madalena do Donatello. Tirei tantas fotos da bichinha, de tantos ângulos e enquadramento que daria pra fazer um book. Eu realmente AMO aquela obra e acho que ela também encantou as meninas, que se fartaram de registrá-la da mesma forma que eu.

Ao sair, estava chovendo fininho e resolvemos dar uma olhada na fila do Duomo. Vazia! Seguimos pra lá e subimos a escada com tonteira e claustrofobia. Pra completar as pobres das meninas estavam com um pouco de asma! Foram várias paradinhas ofegantes até chegarmos ao primeiro nível e depois no segundo. Foi muito bacana ver os afrescos mais de perto, mas não tivemos disposição de subir por dentro da cúpula, pois havia muita gente descendo e nosso lema é não se obrigar a passeios desconfortáveis. Estamos de férias!!

Com as pernas tremendo graças ao "transport fiorentino", empacamos na saída mais uma vez desoladas com a aguaceira que caía. Aguardamos uma leve trégua e corremos pra um café ali perto. Sentamos confortáveis e pedimos chocolates quentes, um drink com café e um docinho folhado de creme di-vi-no! Na hora de pagar, a conta veio com 6 euros a menos do que o valor que havíamos consumido. Falamos com o garçon e ele ficou surpreso quando entendeu que queríamos pagar a mais. Lembrei dos meus pais que, anos atrás, tiveram de entrar numa fila pra devolver uns 40 euros que alguém havia errado na conta. Também tinha sido na Itália.

Já era muito tarde pra visitarmos o Batisttero, então resolvemos ir embora. Tanto ele quanto o Palazzo Vecchio terão de se encaixar em outro dia. Só não me pergunte quando!

Bem alimentadas e quentinhas novamente (sim, está fazendo um friozinho), acabamos dando um rolé por ali até chegarmos a uma lojinha simpática de cosméticos de Milão. Depois de uma meia horinha de diversão consumista e uma mochila consideravelmente mais pesada, seguimos juntas pelas ruas repletas de lojas já fechadas até o albergue das meninas. Elas se impressionaram como as distâncias parecem maiores no mapa. Florença realmente é uma delícia de se andar!

Por volta de 21h, nós nos despedimos, marcando às 8:30 na fila do Uffizzi no dia seguinte. Acabei pegando um táxi pra casa da Nandi, pois o cansaço era muito.

A intenção era dormir cedo, mas já são quase 2h e estou no vício do registro do blog. Não tem jeito! Viagem e blog já viraram um combo de diversão pra mim.

Amanhã tem Uffizzi de manhã, almoço em San Lorenzo, Accademia e Piazza della Signoria à tarde.

Bacione.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Florença: segundo dia - 6/5 - mais fotos

Neste exato momento, estou com a Cristina e a Adriana num café, pertinho do albergue delas. Está chovendo pra caramba, mas não somos de açúcar, então vambora! Seguem mais algumas fotinhos.

Florença: segundo dia - 6/5

Dormi 8 horas quase cravadas, mas acordei completamente descansada, como há muito não me sentia. A impressão que tive foi de nem ter me mexido, pois acordei exatamente na mesma posição em que fui dormir. Foi ON > OFF > ON total!

Tomei café com a Nandi e o Andrea, pois o Nelson já havia ido trabalhar há muito. Eles me contaram terem visto na TV que, no dia anterior, havia sido o maior volume de água em Florença num período de 32 anos. Chegou a haver vítimas em algumas áreas mais remotas da cidade. Infelizmente, a gente tá acostumado a ouvir isso no Brasil, mas aqui foi motivo de espanto. Ou seja, é oficial, sou pé frio!

Mas, brincadeiras à parte, hoje o dia foi cheio! Já no ônibus pro Centro, encontrei uma brasileira muito simpática que me reconheceu graças à mochilinha da Oi (marketing viral até na zorópa) e puxou papo. Seu nome era Aline e veio pra Itália pra estudar canto lírico. Acabou se casando por aqui, separou-se e agora trabalha numa loja de roupas, de segunda a segunda, pra tirar um extra nos sábados e domingos. Realmente, aquele mito glamouroso a respeito de quem vinha morar no Velho Mundo acabou completamente. A verdade é brazucas ralam muito por aqui!

Saltei antes dela, na estação de Santa Maria Novella e fui pra Igreja. Já tinha conhecido no ano passado, mas foi bem bacana revê-la, com suas linhas claramente influenciadas pelo estilo oriental. Fica óbvio até pra mim, que não conheço nada de arquitetura. A fachada é linda, com detalhes em branco e verde. A lateral do antigo cemitério, que fica colado na Igreja também segue essa linha e dei uma viajada, tirando fotos em ângulos diferentes, tentando evidenciar essas linhas geométricas.

Entrando, fui logo ver a famosa cruz de Giotto na nave central. Foi toda restaurada e está linda. Os vitrais dessas Igrejas, sempre iluminando dramaticamente o altar, são invariavelmente um show à parte. Várias capelas com diversos afrescos e uma Natividade do Boticcelli pra completar a brincadeira. Revi também a Santíssima Trindade do Masaccio, que li ter sido um dos primeiros trabalhos a retratar Deus Pai. O Deus desses caras ainda dava um belo de um medo! Parece um senhor de idade, mas bem vigoroso e muito, mas muito severo.

Desta vez, acabei indo pro museu que não havia conhecido no ano passado. Fica no Chiostro Verde, também ao lado da Igreja, mas com uma entrada separada (e paga à parte também, obviamente). Devia ser muito inspirador pros caras daquela época rezarem. E também devia dar o maior soninho. Era uma calma, uma paz... Mas aí, se vc se concentra nos afrescos à volta, vê que a calma e a paz ficam por conta do jardim com seus ciprestes balançando suavemente ao vento. Olhando com cuidado, percebe-se figuras terríveis nas paredes. Peguei um detalhe de um afresco com o cara enfiando a faca na cabeça do outro. Está tudo sumidinho, mas o sangue espirrando aparece. Sinistro, mas são sempre passagens bíblicas e a maior parte das histórias da Bíblia não é pra estômagos fracos.

Sinistro também são os túmulos e túmulos de pessoas por ali. Impressionante como o culto à morte é algo forte na religião católica. Mas é impressionante a quantidade deles. Vi alguns que tinham uns epitáfios bem tristes, de famílias que morreram inteiras. O Nelson me explicou que provavelmente foram famílias que morreram nas pestes.

Tirei várias fotos da capela espanhola, que fica no chiostro. Eu sempre gasto um tempo pra olhar os tetos. São sempre lindos. Quase nunca vejo os turista tirando foto dos tetos. Não entendo, porque além da beleza, acho fascinante imaginar como aqueles artistas se viraram pra conseguir pintar tão bem naquela posição difícil.

Depois de Santa Maria Novella, segui na direção do Palácio Médici di Ricardi. Peguei o caminho do mercado de San Lorenzo. Consegui segurar meu clamor consumista, porque quero deixar pra fazer comprinhas com minha amiga Cristina, que chega hoje, mas a quem verei só na terça de manhã, dia 6. Em vez disso, gastei um tempão catando as tais flores de abobrinha fritas que estou louca pra provar. São as fiori di zucchini, mas não achei. Tive de curar minha frustração com um belo panino de prosciutto crudo. Acompanhei com vinho branco, apesar de saber que não combina. Primeiro porque a atendente enganou-se e me serviu o branco. Segundo porque pensei que seria bom não ficar com dente roxo às 12:30.
De estomaguinho cheio, fui pro Palácio di Medici Ricardi. Achei que fosse ser algo mais didático, formal, mas que nada! Foi uma visita surpreendente. Pra começar, era um palácio lindo de morrer. A parte interna e o jardim davam a noção do que a família Medici experimentou em seu tempo de glória. Depois, fui pra uma instalação moderníssima sobre os afrescos dos Reis Magos. Parecia uma daquelas instalações de arte eletrônica que a minha orientadora apresentava nas aulas do Mestrado. Você sobe numa placa sob a qual fica um fone todo especial e na sua frente, um telão de mais ou menos 4m x 3m. A obra passa em várias páginas que você vai girando e destacando detalhes importantes apenas esticando o braço apontando à distância o que deseja ver. Como o afresco tem uma multidão de personalidades, como a vários membros da família Medici e o próprio autor, ele mostra os detalhes de cada um deles. Depois da aula super bacana (que foi uma aula de design de exposição também), segui pro segundo andar com o objetivo de conhecer a obra in loco. Os afrescos cobrem várias paredes, englobando toda a capela. Uma pena não poder fotografar!

Dali eu segui pros aposentos da família Medici que também era cheio de afrescos, tapeçarias, espelhos e castiçais impressonantes. Uma coisa me chamou atenção, que também reparei em Versaillhes, no ano passado. Acho que a cama king size é coisa de americano, pra quem o conforto é uma obra de arte. A cama dos ricos mecenas Medici era pequenininha! E olha que o que não falta ali é espaço.

Saindo de lá, segui pra Igreja de Santo Espirito, que fica do outro lado do Arno. Aproveitei pra tirar algumas fotos da Ponte Vecchio e tomar um gelato básico de Amarenna. Chegando lá, descobri que a Igreja estaria fechada até as 4 da tarde, o que me obrigou a fazer um almocinho. Coisa chata... Sim, porque o panino havia sido às 12:30 e já eram 15:50. Depois de andar catando um lugar bacana (a praça de Santo Espirito é meio decadente, cheio de mendigos e gente esquisita), acabei parando no Borgo Antico, onde comi uma deliciosa pizza Napoli (mussarale fresca, tomates, anchovas e alcaparras). Tomei um susto com o tamanho, mas quem me conhece, sabe. Missão dada, missão cumprida!

Depois do almocinho "básico", voltei pro lado de cá do Arno e fui andar pelos arredores das lojas chiques. Acabei me deparando com uma perfumaria maravilhosa, com perfumes divinos, de grifes que pareciam artesanais, pois nunca ouvi falar ou vi em outros lugares. Experimentei vários e guardei o cartão com o nome de um eau de toillette cuja viabilidade pretendo avaliar até o fim da viagem.

No caminho pro ônibus, dei de cara com o Palazzo Strozzi, onde soube que estava passando uma mostra que juntava Picasso, Miró e Dalí. Achei o máximo ver esses ícones da pintura moderna em plena Florença e lá fui eu. Muito bacana a organização da exposição, que mostrou obras e fases bem análogas desses artistas, com foco na inspiração de Miró e Dalí no mestre Picasso.

A sorte é que eu só tinha de saltar no ponto final, porque fiquei pescando com a cabeça durante a viagem toda, absolutamente exausta. Acabei indo dormir tarde, mas amanhã não tem descanso, pois vou encontrar a Cristina e temos muuita coisa pra ver.

Bacione.

P.S. Logo pela manhã, ao ir pro Centro, vi alguns estabelecimentos comerciais que me fizeram descobrir que um amigo do meu trabalho (área de Relacionamento Digital da Oi) trabalha por esporte. Sua família é a feliz proprietária de diversos negócios em Florença, como um café Baglioni e o hotel Baglioni, em região estratégica da cidade: ao lado da Estação de Santa Maria Novella. Um fidalgo toscano! Bagli, agora que você foi revelado, se for pagar um almoço pra galera, deixe eu voltar, tá? Rs.

domingo, 5 de junho de 2011

Cheguei!

Depois de uma viagem super exaustiva, cheguei a Florença. Estamos com alguns problemas de conexão, então vim pro MacDonalds do Centro, onde estou escrevendo ao som de... música brasileira. Mais precisamente Wilson Simonal.

Hoje choveu horrores por aqui. Segundo Nandi e Nelson, como eles não veem há anos. Será que sou pé frio? Rs. Por causa disso, acabamos ficando no apartamento deles. A maravilha é que o Nelson é exímio chef de cozinha. Já mandei gnocchi ao pesto e talharim ao ragú. Está oficialmente aberta a Parte II da minha versão "Comer, Comer e Comer".

Aqui no Centro tá tudo sem luz. Nem valeu a pena fazer uma fotinho. Pena!

Amanhã, dia cheio previsto: Santa Maria Novella, Mercado de San Lorenzo no caminho pro Museu de Medici Ricardi, Igreja e Piazza de Santo Espirito e badalação na via Tornabuoni.

Ebaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Cheguei na Itália!

sexta-feira, 3 de junho de 2011