quinta-feira, 16 de maio de 2013

13 de maio - rumo a Portocannone


Acordamos às 5 horas da manhã, pois o trem para Campobasso, sairia às 6:15, da Termini. Esse foi um ponto particularmente difícil, tendo em vista que ouvi os sinos da igreja até as 3 da manhã, mais ou menos. No entanto, ainda que tonta de sono, a adrenalina fez com que eu já estivesse pronta às 5:30 pra sair, bem como o Eduardo.

Andamos do Night and Day até a estação Barberini e, duas paradas depois, já saltávamos na Termini. O trem ficava numa plataforma um pouco mais distante e só tinha 3 vagões. Logo que partimos, o Eduardo percebeu que se tratava de um trem diferente, de motor a diesel. O troço sacudia pra burro e me deixou entre tonta e enjoada na maior parte da viagem. Mas, como o trajeto durava 3 horas e meia, aproveitei pra escrever o que pude do post anterior.

Ao chegarmos a Campobasso, o próximo passo era encontrar a locadora Maggiore, onde o Eduardo já havia reservado um Fiat 500, pra viagem até Portocannone. Ainda não havíamos comido nada, então paramos num dos primeiros bares que vimos para um cappuccino. Lá, o Eduardo aproveitou pra pedir informações sobre a rua onde estava indicada no endereço da reserva, mas qual não foi a nossa surpresa, quando nenhum dos 3 residentes que estavam no bar conheciam sua localização!

Um deles, que depois se apresentou como Giulio, pediu o papel onde havia a reserva, procurando um telefone, mas lá não havia. Discutindo mais um pouco entre eles, chegaram à conclusão de que a Maggiore deveria ficar num bairro mais novo de Campobasso e, dito isso, um deles lembrou-se do que achou ser a locadora.

Giulio, então, fez questão de nos conduzir pessoalmente até o local. Este foi o primeiro italiano gentilíssimo que nos ajudou ao longo de todo o dia, como perceberíamos mais tarde.
Em 10 minutos de caminhada, estávamos em frente à Maggiore. Ao longo do caminho, Giulio fez algumas sugestões sobre o roteiro que poderíamos fazer. Indicou um passeio até o Castelo Monforte e três igrejas (!!!) que o rodevam. Todos ficavam num bairro medieval, bem no alto da cidade, num local que podíamos avistar do ponto onde estávamos.

Despedimo-nos agradecendo imensamente a inestimável gentileza e entramos na locadora, onde uma mocinha loura, de olhos azuis bem grandes e cabelo totalmente fashion nos atendeu. Seu nome era Antonieta e parecia já estar nos aguardando, pois logo adivinhou o nome do Eduardo.

Depois de breves orientações, levou-nos à “machinna” que já estava no pátio. O Fiat Cinquecento preto era uma graça e até agora nos arrependemos de não termos tirado uma foto pra registro.
Seguimos pro Castelo Monforte com o Eduardo dirigindo como se já soubesse onde era, pois se eu sofro com uma total desorientação espacial, ele parece ter nascido com um GPS de fábrica.

Paramos na base do bairro medieval e seguimos andando pelos labirintos e becos, até chegarmos à primeira igreja. De estilo românico, era bem simpática, com um leão grotesco esculpido em um de seus adornos.





Logo em seguida à segunda igreja, passamos por uma ladeira cercada de árvores com pequenas placas de homenagem a mortos da II Guerra, quando a cidade foi palco de uma feroz batalha entre tropas alemãs contra italianos e canadenses.



A dica de Giulio foi muito boa, pois o panorama do castelo e de toda a planície valeu a pena o passeio. Do ponto onde estávamos, era possível avistar campos a perder de vista. Antes de irmos, o Eduardo já tinha adiantado que o azeite Colavita, bem comum no Rio de Janeiro, era produzido naquela região. Assim, deduzimos que muitos daqueles campos deveriam estar cheios de oliveiras.






Outra curiosidade interessante a respeito da região que, obviamente, é contribuição do meu culto namorado, é a origem do nome “del paese”. Ocorreu que a ocupação original aconteceu no topo da cidade, ao redor do castelo Monforte. Mais tarde, no século XVIII, a população passou a se espalhar para a base do monte. Essas áreas mais baixas tornaram-se referência para o nome da cidade, que se tornou Campobasso.
Terminado o rápido tour, partimos pro destino de fato, que seria Portocannone. Afinal, a intenção da viagem era descobrir o que fosse possível a respeito da família Gaspari, no local de nascimento de uma das bisavós do Eduardo.

Diante da noite mal dormida (foi mais uma cochilada do que outra coisa), cabeceei a viagem inteira enquanto o Eduardo foi dirigindo, ouvindo música italiana e curtindo a paisagem. Como ele mesmo acrescentou, a ideia de alugar um carro dá uma dimensão road movie ao roteiro.

A sinalização mal feita nos fez perder o ponto de entrada pra Portocannone, de maneira que a dúvida sobre se almoçaríamos lá ou em Termoli, uma cidade costeira próxima, foi resolvida. Seguimos pra Termoli, onde conhecemos o mar Adriático e comemos ótimos pratos de massa e carne no Don Giovanni, cujas boas recomendações no Trip Advisor já tinham sido pesquisadas pelo Eduardo.



Pedimos orientações mais certeiras sobre a maneira mais prática de retornar a Portocannone. Aqui vale ressaltar a clara estranheza de todos, quando mencionávamos a intenção de ir àquele pequeno povoado. Assim como Giulio, o dono9 do Don Giovanni, perguntou “Mas o que vocês vão fazer em Portocannone?!!!”. No entanto, uma vez explicado, todos concordavam que a razão era muito justa.
Depois de entendido o caminho seguimos ao nosso inusitado destino, passando rapidamente por uma outra cidade chamada Campomarino. O relato do que se seguiu, vou deixar pro próprio Eduardo...

“Ao chegarmos, fomos diretamente à prefeitura a fim de pesquisar os documentos de nascimento da mãe da vovó. Que frustração! O papel afixado na porta informava que a prefeitura apenas reabriria no dia seguinte.

 A visão dos dois forasteiros pasmos e detidos à porta da prefeitura por tantos minutos motivou um dos funcionários a sair de sua casa do outro lado da rua e indagar a razão da nossa visita. Relatado o motivo, sem demora nos convidou a entrar.








Fomos calorosamente recebidos por colegas seus que trabalhavam em uma sala. Mostrei a todos copia do documento da mãe da vovó. Ora, Gaspari, sim era um dos nomes locais. Logo telefonaram para um Gaspari, o Donato, perfeito homônimo do avô da vovó. Alguns minutos depois  chegávamos à casa do Donato e de sua esposa Clara. Uma espaçosa moradia de 3 andares onde vivem com os 3 filhos, Antonia, Rita e Gaetano, alem de um pastor alemão de 13 anos, o Rolf. São camponeses no trato afável e espontâneo.

 Incrivelmente feliz com a visita, Donato contou que sua mãe nascera no Brasil, em local que, segundo ele, tinha o nome de Macaco. E que ele se chamava Donato, por ser um prenome de tradicional repetição na família. Esses fatos foram suficientes para se concluir o parentesco que foi  então brindado com um drinque de narancia rossa (iguaria!).

Donato trouxe fotos de parentes descendentes emigrados para os Estados Unidos e, mais recentemente, Canadá. Um dos americanos, inclusive, foi Mr. Universo, com troféu agraciado pelo Arnold Schwartzenneger (!!!), relatou um Donato orgulhoso, nos mostrando as fotos autografadas por uma espécie de Stallone.

Depois, lamentaram a brevidade de nossa passagem pelo paese. Era preciso ficar pelo menos 3 dias para conhecer todos os parentes! Convidaram Ana Paula e eu a voltarmos no próximo ano para passarmos o Dia de Pentecostes com eles. Nesse dia, o paese realiza a tradicional corrida de carroças de boi, o orgulho da população conjuntamente ao dialeto Alberesh.



O tempo apertava pois tínhamos de devolver o carro em Campobasso e pegar o trem rumo a Roma. Despedimo-nos com a promessa de regresso.

Chegamos em Roma às 23:00. Dia longo e memorável.”

segunda-feira, 13 de maio de 2013

12 de maio - Dia cheio, cheio de encantamento!


No Domingo, não acordamos muito cedo, ainda nos recuperando da noite em claro no avião. Na verdade, essa recuperação está sendo uma parte difícil pra mim. Talvez graças à empolgação com a viagem ou talvez devido aos muito cappuccinos, Morfeu não tem sido um amigo muito próximo. Confesso que, diante de duas madrugadas insones, o encantamento inicial que eu havia sentido pelas badaladas suaves de sino tocadas a cada quinze minutos na igreja mais próxima diminuíram bastante.

Mas haverá muito tempo pra descansar depois, portanto, em torno das 10 horas, já estávamos preparados para sair. Encontramos Monica na sala do Bed and Breakfast e, depois de algumas orientações de última hora, ela e Eduardo travaram uma animada conversa em Italiano sobre a situação difícil deste país.
Tomamos nossa prima colazione num bar próximo ao Night and Day, também de propriedade da Monica, que faz as vezes do segundo “B” de Bed & Breakfast. Ela foi dignamente composta de cappuccino com croissant de chocolate, mais uma garrafa de água “gasata”.

Nosso roteiro inicial compreendia uma série de atrações e seria muito difícil conseguirmos visitar todos os lugares que havíamos planejado, mas o lema é sempre tentar, mas nunca com stress. Partimos, então, pra Igreja Santa Maria della Vittoria, a menos de 10 minutos de caminhada, onde poderíamos ver uma das esculturas mais famosas do mestre Bernini, “Êxtase de Santa Tereza”.

Não foi difícil encontrar a igreja, que fica no mesmo quarteirão da Fontana di Mosè, que depois conferimos no guia, em contraste com a perfeição de formas do “Êxtase”,  foi considerada uma tentativa mal sucedida de Prospero Bresciano ou Leonardo Sormani para recriar a força do Moisés de Michelangelo. Bem, muito cá entre nós, eu achei tão linda... L


Já na Igreja de Santa Maria della Vittoria, ainda que a escultura de Santa Tereza não estivesse à vista da entrada, a aglomeração de turistas na capela lateral esquerda, próxima ao altar já denotava sua localização.
E lá estava ela, ainda mais bonita do que o meu livro de História da Arte da faculdade sugeria, com seus lábios entreabertos, braços pendentes, olhos fechados e, a sua frente, o anjinho com expressão curiosa, empunhando as flechas que trespassavam o peito da santa em êxtase. Lemos, depois, que se tratava da escultura preferida do Bernini, absolutamente toda trabalhada por ele.



O teto da igreja, bem como todas as outras capelas, era tão suntuosamente adornado quanto se pode esperar de uma obra prima barroca. De autoria do arquiteto Carlo Maderno, responsável por boa parte das fachadas de igrejas importantes da mesma época, repetia um efeito que percebemos tanto na Igreja de Santo Ignacio, quanto na Igreja de Gesú. Em todas elas, há parte das figuras feitas no relevo, quase como se fossem esculturas pintadas. Além disso, há várias esculturas integradas às molduras douradas, como se os querubins estivessem de fato voando, por entre a estrutura física da igreja.



Seguimos pela Via Quirinale nos depararmos com um cruzamento com quatro fontes. Nem eu, nem Eduardo havíamos ouvido falar dessas que justificavam o nome da rua por que passávamos, chamada de Via delle Quattro Fontane. Esse é um dos grandes baratos de Roma. É tanta coisa linda, que você pode se surpreender nos lugares que menos imagina.







Logo mais à frente, passamos por um jardim muito simpático. Diferentemente da maior parte das atrações que visitamos até agora, havia poucas pessoas desfrutando daquele domingo primaveril, de clima delicioso, com céu impecavelmente azul. Uma rápida conferida no guia e pronto! Descobrimos que estávamos nos Giardini Quirinale.



Seguindo mais à frente, chegamos ao destino com que havíamos decidido fechar a primeira parte do passeio, o Pallazzo Barberini. Foi outra maravilha de que não tínhamos ouvido falar e abrigava nada menos do que obras de Rafael e do meu querido Caravvaggio. Pra completar nossa sorte, o museu fazia 60 anos e estava comemorando com entrada franca. Só ouvimos o idioma italiano a nossa volta, confirmando que o Pallazzo Barberini e suas abelhas (um dos símbolos da família) era mais popular entre os locais do que entre os turistas.





O Pallazzo Barberini fica muito próximo do Night and Day e decidimos dar uma passada no B&B pra pegarmos o mapa de indicações de restaurantes próximos que a Monica havia nos dado. Ao descermos a Via Rasella, vimos um grupo de americanos parados em frente a um prédio recuado. Não parecia haver nada de especial com o lugar, mas o Eduardo conseguiu ouvir um pouco do que o guia falava e percebeu se tratar de algum evento acontecido durante a II Guerra. Já no quarto, munidos de conexão wifi, o danado pesquisou no Trip Advisor e descobriu que, na Via Rasella, alemães e italianos travaram um combate em que os alemães dispararam contra os prédios e muitas marcas de bala podem ser vistas até hoje. Esse episódio se desdobrou numa chacina, onde, em retaliação às baixas alemãs na batalha, 355 italianos foram presos em catacumbas para serem deixados à morte. Obviamente, fizemos uma paradinha estratégica do almoço pra eu fazer meu registro desse local histórico.




Depois do sítio dramático, subimos em direção à Villa Borguese por meio da sofisticada Via Veneto. Acabamos encontrando um restaurante não tão caro, onde comi uma salada, seguida de pizza, acompanhados de Frascati, enquanto o Eduardo pediu uma massa com frutos do mar. Fechei a refeição com um cappuccino que me faria acompanhar as badaladas do sino da madrugada e seguimos para o parque.





Como era Domingo, pudemos ver os romanos aproveitando seu lugar ao sol. E que lugar! Seguimos por uma via que chegaria à Galeria Borguese e confirmamos com muita tristeza o que a Monica havia nos antecipado. Dificilmente conseguiríamos ingressos pra ver as tão maravilhosas obras de Bernini e Caravvaggio abrigadas por esse museu tão espetacular. Dito e feito! Ingressos esgotados até sexta-feira, quando já nem estaremos mais em Roma. Não havia me preocupado com isso porque, em 2010, eu apenas comprei as entradas algumas horas antes de entrar no museu e achei que a situação fosse se repetir. Ponto fraco do planejamento, mas não se pode ganhar todas!
Curamos nossa “mágoa” passeando mais um pouco sob o sol generoso da Villa Borguese, até o Belvedere, onde tiramos fotos da Piazza Del Poppolo e descemos as escadas até a praça e a própria igreja de Santa Maria Del Poppolo, onde conseguimos admirar a espetacular crucificação de São Pedro, de Caravvaggio.



O dia ainda estava longe de terminar! Determinados em ver ainda naquele dia a Basilica de São Pedro, seguimos em linha reta (ou tanto quanto possível) até o Vaticano e entramos sem problema na Capital da Santa Igreja Católica.




Constatamos que as maiores igrejas que vimos correspondem a uma única capela dessa impressionante Catedral e tentamos passar, ao menos, pelas obras mais importantes, pois já estávamos próximos de 19 h, quando o lugar fecha para a visitação.




Saindo dali, andamos um pouco pela Via della Conciliazione e seguimos em direção ao Castelo Sant´Angello, que já estava fechado. Sem problemas! Seguimos pela Ponte dos Anjos, em direção à Piazza Navona, onde tínhamos a indicação de uma ótima trattoria para o jantar. Serviço honesto e comida típica deliciosamente italiana, sem ser pra turista. Perfecto!








Sei lá como, ainda tivemos ânimo de andar (sim, ANDAR) até a Termini, passando pela Piazza della Reppublica.



Nossa intenção era comprar as passagens a Campobasso no dia seguinte, onde faríamos uma aventura pra investigar o passado da família Gaspari, sobrenome da bisavó do Eduardo, na pequena cidade de Portocannone. Chegamos depois de 23h no Night and Day e o trem sairia às 6:15 do dia seguinte. Dio mio!

Foi justamente durante a viagem de trem a Campobasso (3:30 cada perna) que a maior parte deste post foi escrito (por isso tão grande), mas esse relato completo fica pra próxima.

Uffa!
Bacione.

sábado, 11 de maio de 2013

Finalmente, chegamos!

Depois de meses de planejamento carinhoso, finalmente chegamos em Roma!!!

O voo foi tranquilo, sem turbulências, mas muito cansativo. Durante Rio - Lisboa (cerca de 9 horas) e Lisboa - Roma (cerca de 3 horas) eu consegui a façanha de dormir o dobro do tempo que o Eduardo. Preguei o olho por umas duas horinhas, no total. E ele, bem, é só fazer a continha simples. Vale destaque a conexão em Lisboa, onde pudemos saborear um pastel de nata divino. Enquanto mordia a casquinha crocante encharcada de creme, antevi que o fim desta aventura (retornaremos a Lisboa como último destino) será um primor gastronômico e um desatre calórico.

E quanto ao cansaço, tá tudo ótimo! O esforço vale a pena pra esta cidade absolutamente incrível! As muitas horas sem sono só fazem contribuir pra sensação de que estamos fora da realidade.

O Night and Day é extremamente bem localizado, muito próximo à Fontana di Trevi, só pra dar uma pequena referência, mas praticamente todas as piazzas, igrejas e monumentos estão a um máximo de 20 minutos andando. Acredito que só quando quisermos ir a pontos distantes um do outro é que teremos de usar ônibus ou metrô. Além disso, ele é limpo, tem camas confortáveis e nada barulhento. Neste momento em que escrevo, ouço apenas as teclas do computador e o suave badalar do sino de uma igreja. Uma? Ok, da igreja mais próxima.

A gerente do local, Monica, é uma italiana do norte muito simpática e falante, que estava a postos pra nos receber. Atendeu à campainha prontamente e desceu pra nos apanhar e subimos separadamente no pequeno, antigo e charmoso elevador. Depois de nos mostrar o simpático Bed and Breakfast - além do nosso, que é uma suíte, há mais 2 quartos, com um banheiro compartilhado - ofereceu-nos água, café e deu-nos uma aula dos melhores restaurantes, roteiros, formas de transporte e tudo mais que fosse útil. Tudo em 20 minutos, sem pestanejar, eventualmente misturando Italiano e Inglês. Ótimas imitações pra volta foram elaboradas nesse período. Se bem que, em imitação de sotaque, nem tem graça eu arriscar alguma com o Eduardo por perto. As dele sempre são infinitamente melhores.

Bem, resumindo bastante, depois de deixarmos as malas e trocarmos de roupa, almoçamos num restaurante turístico, tão simpático e acolhedor, quanto era cafona seu nome:"That´s Amore". Excelente indicação da Mônica e fomos de bruschettas de entrada e depois massa. Por incrível que pareça, não tomei vinho, pois o cansaço era tanto que tive medo de apagar ali mesmo, sentada na mesa.

Pro desespero do Eduardo (meu namorado é muito blasé), continuo fotografando todos os pratos que como (discretamente e sem flash!!!), pois o registro de minhas experiências gastronômicas merecem toda a minha dedicação. Na verdade, já mereciam muito antes do Instagram existir, diga-se de passagem!!! Então, lá vai...

Só consegui tirar a foto a seguir depois de devorada a primeira bruschetta, o que fez com que ela não ficasse nada harmoniosa (a imagem apenas, lógico, porque a própria estava divina!!!), mas acho que todos compreenderão meus motivos...


Depois, uma especialidade romana, que é a pasta alla Matriciana. A do Eduardo se chamava a la Norma, tinha berinjela, mussarela de búfala e uma casquinha gratinada linda e divina. No caso deste prato, conseguir esperar a foto antes de atacá-lo.


Depois, cappuccino e... ROMA!!!

Pra começar, Fontana di Trevi, que estava absolutamente lotada de turistas. A maior parte, japoneses! Mas quem pode culpá-los? Ou melhor, culpar-nos.


Depois, fomos ao Pantheon, onde acontecia uma missa e só ficamos apreciando por fora o primeiro templo transformado em igreja e suas paredes de cerca de 6 metros de espessura, que amparam a cúpula perfeita.

A Piazza di Spagna estava com suas escadarias lotadas, devido a uma apresentação de uma orquestra da polícia. Foi uma delícia assistir um pouco, naquele clima ameno de primavera, em torno de 17 graus (eu estava de casaco e pashmina, claro!), com solzinho amigo e céu absolutamente azul.

Tentamos entrar no Pallazzo Doria Pamphili, pra vermos o retrato de Inocêncio X, por Velázquez, mas já passava da hora de fechamento da bilheteria. Tivemos de nos contentar com o lindíssimo claustro e seus limoeiros. 

Depois, fomos na Igreja Santo Ignacio di Loyola, com seu lindíssimo teto. Depois, passamos no Campo dei Fiore e Piazza Argentina, onde conhecemos a maior livraria da cidade, conforme indicação feita por minha amiga Rose em 2010! Assistimos um pouco da missa na Igreja Gésu, que estava terminando. Cheguei a me emocionar um pouco, lembrando que em 2010, eu havia pedido a Deus com tanto fervor em todas as Igrejas em que entrei e que em 2013, só tinha a agradecer.

Piazza Navona e Piazza Argentina.Coroamos a maratona deliciosa com fiori di zucca, antepasto italiano e pizzas de alicci (Napoletana) na Baffetto 2. Havíamos buscado pela Baffeto original, próxima à Piazza Navona, conforme indicação da Rose, mas devia ter umas 20 pessoas na fila. Como no caminho, nos deparamos com a Baffetto 2, próximo ao Campo de Fiore, arriscamos e não nos arrependemos.

Voltamos agora há pouco. Amanhã, acredito estar mais descansada e ter fôlego pra registros mais interessantes. Por enquanto, fico só (!) com as fotos.














E pra fechar, cortesia da Nandi...



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Veneza de Tintoretto

Embora nunca tenha visto qualquer menção à Scuola Grande di San Rocco em reportagens sobre Veneza,  foi um dos museus mais extraordinários da viagem de 2010.

Entrei por acaso, atraída pela beleza do prédio, logo depois de uma visita emocionante à Igreja Santa Maria dei Frare, que fica no mesmo quarteirão (se é que dá pra chamar algo em Veneza de quarteirão).

Tintoretto passou 27 anos de sua vida trabalhando na Scuola Grande di San Rocco e o resultado é de arrebatar o coração!

Achei este vídeo que dá uma noção do esplendor do lugar. Vale a pena assistir mesmo quem, como eu, não entende nadica do idioma italiano (mas acha lindo!).

http://www.youtube.com/watch?v=2QTHWljPJBw

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Before Vienna

Pouco mais de um mês antecedendo a viagem com passagens de trem compradas, hospedagens reservadas e roteiros sendo amadurecidos. Já nos permitimos cortejar mais intensamente as cidades que vamos visitar e o destino do flerte, nos últimos dias, vem sendo Viena!

Felizmente, conseguimos alugar juntos Before Sunrise e Before Sunset na infalível Cavídeo. Chuvinha fina e tempinho ameno de Petrópolis completaram as bênçãos daquele Sábado de Aleluia, quando nos deliciamos com duas versões seguidas dos roteiros percorridos por Jesse e Celine. Pra quem não conhece essa especialíssima aventura romântica em duas partes, com um intervalo de 9 anos entre cada uma, pode quitar essa lacuna cinéfila sem medo de ser feliz.

Vou me ater neste post à primeira parte, passada em 1995, quando o americano Jesse, em seus vinte e pouquíssimos anos conhece a francesa Celine numa viagem de trem pela Europa. Livres, lindos, intensos e com aquela falsa despretensão que só gente, ao mesmo tempo, muito jovem e muito inteligente pode se permitir, percebem que a sintonia pode durar mais do que a conversa no vagão restaurante.

Ele deve saltar em Viena, onde ficará sem destino, até pegar o voo que o levará de volta à América, na manhã seguinte. Celine, por sua vez, deve continuar até Paris, onde o início das aulas na Sorbonne (ela pergunta "sabe, a Sorbonne?") a aguardam dentro de alguns dias. Jesse, então, faz uma proposta para que ela o acompanhe nessas últimas horas de aventura flâneur.

A fórmula do filme é simples: lindos cenários, atores competentes e ótimos diálogos. Um convite irresistível para qualquer casal (solteiro também vale) que o tenha visto e pretende visitar Viena é deixar as memórias da cidade de Jesse e Celine se fundirem à própria experiência nesses lugares. E é exatamente isso que faremos.

Procuramos no Google e, em dois cliques achamos não apenas o roteiro de Before Sunrise, mas um aplicativo com audio guia, cujos roteiros podem ser baixados, sem a premissa de uma conexão para que se possa ouvi-los.

Faremos, então, nossa versão de Viena até antes do amanhecer e também depois do sol raiar, pois serão algumas noites passadas nessa cidade incrível.

Segue o link, para quem tiver curiosidade!

http://www.gpsmycity.com/tours/before-sunrise---vienna-1352.html

Meu, nosso véio mundo

E lá vou eu novamente!

Mas, desta vez, não vou só. Pelo contrário, estou indo muito bem acompanhada. Vou com meu amor rever Meu Véio Mundo, apresentá-lo, conhecer o dele e descobrir o nosso.

A aventura começa no dia 10 de maio, quando embarcamos.

Roma, Florença, Veneza, Viena, Praga, Paris e Lisboa nos aguardam!