segunda-feira, 13 de junho de 2011

Florença: sexto dia - 11/6

Encontrei com as meninas no albergue às 10h, mas como elas ainda estavam terminando de se arrumar, segui pro café ao lado, onde postei alguns dias atrasados de blog e tomei uma spremura de narancia (amo esse nome!).

Quando elas chegaram, trocamos figurinha sobre nossas visitas anteriores: elas a Roma e eu a Assis. Daí, fomos a uma loja comprar óculos escuros, porque a Adriana havia quebrado os dela e eu achava que havia perdido os meus (mais tarde descobri que estavam caídos debaixo da cama). Consegui um preço ótimo por um modelo alemão que, segundo a vendedora, não era uma marca famosa, mas as lentes eram de altíssima qualidade. Comprei os dois, tanto os óculos, quanto o discurso.

Decidimos almoçar e paramos no Mercado de San Lorenço, aonde eu encarei o famoso sanduíche toscano de tripa, o panino de lampredotto. As meninas foram de panino de salame, cujo pão estava tão duro, que literalmente fazia "toc, toc, toc" quando batíamos. O meu, como tinha molho, veio mais molinho. Quanto ao lampredotto, achei gostoso, mas a textura é bem esquisita, meio puxa-puxa. O sabor não me pareceu nada espetacular, mas valeu a experiência de provar aquele sanduíche tipicamente toscano.

Como elas acabaram comendo só o salame e um sandubinha não serve de almoço pra mim, pedimos umas massas. Elas, spaguetti com molho branco de aspargos e eu de um molho apimentado de tomate. Na verdade, eu só apontei pro cardápio e escolhi algo que nunca tinha comido. Acabou vindo esse prato, que estava ótimo.

Depois do lauto almoço, seguimos pra Capela dos Mèdici, que fica ali do lado. Eu fazia questão de rever Dia e Noite e também Aurora e Crepúsculo do Michelangelo. Também queria que as meninas vissem e elas ficaram muito impressionadas. Além do salão principal, que é lindíssimo, com seus desenhos em mármores de diversos tipos e cores, demos um rolé pelos inúmeros relicários que mostram a esquisitíssima tradição de guardar ossos de pessoas.

A feirinha é ali em volta, por isso, foi impossível não dar uma passadinha básica, que sempre termina com, pelo menos, uma sacola na mão! Mamma mia!! Depois seguimos até a Ponte Vecchio, aonde tiramos várias fotos. Dali, fomos pro Pitti, aonde havia marcado com a Nandi às 16:30. Pedi que ela fosse de guia, pois não tinha tido uma boa experiência da Galeria Palatina no ano passado, que achei muito confusa.

Tiramos algumas fotos nas esculturas da fachada e entramos no palácio. Que diferença visitar um museu ao lado da Nandi! Tudo fica muito mais interessante, fora o fato de que vamos direto no filé! Ela me mostrou o Amor Dormiente do meu querido Caravaggio, que não tinha reparado no ano passado. Também me mostrou muitos Andrea del Sarto, detalhes da escola flamenca e me ensinou a entender a estética maneirista. Estava curiossíssima pra ver a Judith da Artemísia, fugindo com a cabeça do Holofernes. Era a continuação da pintura que mostrava a degola que tanto me impressionou no Uffizzi e eu amei a composição da obra, com uma captura de momentos super expressivos da Judith, da criada que a ajuda na fuga e da própria cabeça cortada do Holofernes! Expus à Nandi minha interpretação psicológica pra primeira obra (está no post do Uffizzi) e ela riu, comentando que fazia bastante sentido, pois a Artemísia padeceu horrores.

Apesar de ter um acesso relativamente facilitado àquele mundo cheio de homens e gênios, pois era filha de pintor, a Artemisia sofreu o que talvez tenha sido o primeiro estupro relatado no mundo das Artes, cometido pois seu mestre. Mais do que nunca, tive certeza de que aquela cabeça tinha um dono que não era só o Holofernes.

Depois de uma visita deliciosa, fomos pros jardins do Boboli. Eu tinha ido no ano passado e não queria deixar de repetir, pois foi um dos passeios mais agradáveis, quando havíamos feito um piquenique. Desta vez, se não teve refeição, fomos brindadas com uma luz espetacular de fim de tarde e um Boboli bem tranquilo. Tiramos muitas fotos e saímos exaustas. Não estou postando mais porque eu havia esquecido a máquina e vou pegar as da Cristina e da Adriana quando voltar ao Rio. As do post anterior são algumas que elas conseguiram me enviar por e-mail no meio da correria.

Agradecemos muito à Nandi pela experiência maravilhosa. Ela preferiu voltar logo pra casa, mas nós queríamos sentir um arzinho de "night" fiorentina e fomos jantar na Praça de Santo Espírito, bem pertinho dali. Descobrimos que aquele era o point noturno de Florença, pois ela estava lotada de gente jovem e bonita. Jantamos no Borgo Antico, o mesmo em que eu havia comido aquela pizza divina, na segunda-feira. Comi massa e elas um risoto. Acompanhamos os pratos com um Vernaccia de San Gimignano.

Absolutamente mortas de cansadas, abolimos a ideia da esticada e fomos embora pra dormir cedo. Vida de turista é muito dura, afinal de contas. Rs.
Amanhã, elas irão a Veneza e eu a Fiesole. Agora, só nos encontraremos pra ir a Siena, pois na segunda, irei a Lucca.

Bacione.

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