quarta-feira, 3 de julho de 2013

22 de maio: terceiro dia em Viena - Schönbrunn

O dia estava nubladíssimo e, segundo o aplicativo de previsão do clima, com 40% de chance de chuva no seu decorrer. Apostei com o Eduardo que deveríamos levar o enorme guarda-chuva comprado em Florença e ele que não. Como era o próprio Eduardo o responsável por carregar o guarda-chuva, acabamos deixando-o quietinho no Guesthouse Arabella. Ponto pro meu namorado, pois fomos brindados com um sol lindo, que começou a brilhar logo depois que saímos do Consulado Brasileiro, como que saudando a posse de meu novo documento.



O roteiro do dia começava com o famoso Schönnbrun, o palácio de Verão dos Habsburgs, que fica numa parte afastada da cidade. No entanto, antes de pegarmos o metrô, resolvemos andar um pouco na avenida que forma um anel por Viena, muito linda e arborizada e fomos em direção ao Stadpark, mais um dos lindos parques da cidade, onde ficava a estação.

Dessa vez, pudemos curtir o ambiente de uma forma mais confortável do que quando estivemos no Rathauspark. Diferentemente da experiência anterior, quando o tempo era chuvoso, o sol forte aquecia deliciosamente nossos casacos, em contraste com o ar ainda frio daquele fim de manhã.




Rodeamos o lago e assistimos a vários patinhos fofos, com direito à dança do acasalamento de um casal que me lembrou bastante certas histórias no reino dos animais humanos. O pato macho investiu ferozmente sobre a patinha fêmea que ficou assustada e saiu correndo pro lado de fora da água. O macho foi atrás, mas diante da relutância da fêmea, resolveu ignorá-la. Qual não foi a surpresa quando, de repente, a pata começou a seguir o pato, como quem não queria nada, mas pra onde quer que ele fosse. Tive vontade de estapear o diabo da pata, querendo que se desse ao respeito! Mas consegui me conter e preferi assistir quietinha ao Animal Planet em jardim urbano, ao vivo.




Andamos um pouco mais pelo parque e vimos a famosa escultura dourada de Johan Strauss. Tive de aguardar um tempo até conseguir uma brecha pra enquadrar o monumento sem interferência dos turistas japoneses, que posavam pra fotos na frente da estátua, gritando uns para os outros em seus vocábulos quase sempre oxítonos. Se minha imitação japonesa não foi melhorada, ao menos a espera me rendeu uma foto!



Pegamos o organizado metrô na direção do Schönbrunn, que seguia parte pela superfície. Confesso que já não me lembro se houve baldeações, até porque, ao nos entretermos com paisagens e tipos vienenses, acabamos perdendo a parada e tivemos de voltar um pouco. Em todo caso, apesar do engano, era muito fácil e em pouco mais de 20 minutos chegamos à estação correta.

Seguimos o fluxo de turistas pro palácio de verão dos Habsburgs e, ao ficar em dúvida sobre qual das entradas seria a correta, um sujeito que vendia ingressos para um concerto no Schonnbrün nos “orientou”. Obviamente, o preço da “orientação” era nossa atenção pra tentativa de venda do espetáculo daquela noite. Quando o Eduardo argumentou que tínhamos dois eventos reservados em Praga, nossa próxima parada, o sujeito fingiu um quase indignamento, falando em Inglês, “OK, você vai a concertos em Praga, mas estamos falando de Viena, meu amigo. De Viena!”. Agradecemos a orientação e seguimos prometendo pensar no assunto (como 90% dos turistas que ele devia abordar).

Entramos no pátio externo ao palácio, onde já pudemos antever um pouco de sua beleza e comprar as (caríssimas) entradas pro trajeto mais longo, na área interna. Alugamos audioguias, deixamos os casacos pesados no guarda-volumes e lá fomos nós pra mais uma aula de suntuosidade à moda Habsburg.

Três eram os personagens principais da visita audioguiada pelos salões imperiais: a famosa Maria Tereza, com sua enorme prole de 9 filhos, dentre os quais Maria Antonieta, e o casal Franz Joseph e Elizabeth, ou Sissi, a Imperatriz.

Como escolhemos o tour mais longo, pudemos conferir as suntuosas e inúmeras salas barrocas, todas reformadas sob o reinado da impressionante Maria Tereza. Uma vez que não pude tirar fotos, seguem alguns exemplos do "cafofinho" dos Habsburg, que copiei da internet.

foto da internet

foto da internet

foto da internet

A parte reservada à memória de Franz Joseph I e Sissi se destacava pela austeridade dos cômodos do primeiro e pela bizarra manequim com cabelos muito, muito longos, simulando as famosas madeixas da segunda. O audioguia era indispensável, chegando a emocionar com os relatos de Franz Joseph I, na ocasião do atentado a facadas que vitimou sua esposa. "Você não tem ideia de como eu amava essa mulher", teria dito ele. Infelizmente, os sentimentos do pobre (?) imperador, que acordava às 4 da manhã para trabalhar, não deviam ser correspondidos, como se podia supor pelas declarações vanguardistas da racional Sissi. Segundo o narrador, ela dizia que a instituição do casamento era algo "inútil e sem sentido", que obrigava uma pessoa a ficar presa à outra pelo resto da vida.

A respeito de Maria Tereza e sua extensa prole, entre outras curiosidades, o audioguia acrescentou que, apesar de demonstrar claramente seu amor pelo marido, de quem ficou viúva muito cedo, ela era profundamente prática com os arranjos matrimoniais de seus 9 filhos. Casar por amor foi apenas permitindo à filha mais velha, sua preferida. Foi numa dessas que Maria Antonieta perdeu, literalmente, a cabeça!

Depois de fazermos o tour pela área interna do palácio, fomos explorar os exuberantes jardins. A analogia com Versaillhes é imediata, com suas dimensões latifundiárias, inúmeros lagos, estátuas neoclássicas e caminhos delineados por arbustos geometricamente podados. Infelizmente, havia um palco de megashow sendo montado ou desmontado - não conseguimos precisar - que poluía a visão do palácio até o Gloriette.



Andamos até a entrada do famoso Jardim Zoológico de Viena, mas decidimos não entrar, pois o tempo seria escasso pra que pudéssemos aproveitá-lo de fato. Afinal, ainda tínhamos o repeteco do museu de Belas Artes que nos foi concedido pela generosa Berena, na visita do dia anterior. Assim, em vez do Zoo, preferimos almoçar rapidamente no restaurante que havia por ali, oferecendo alguns pratos tipicamente vienenses.

Começamos a brincadeira com nova rodada do chopp Pilsen servido na módica tulipa de 500 ml.



Um simpático esquilinho nos presenteou com uma visita, andando freneticamente por várias cadeiras, de maneira que o máximo que conseguimos registrar foram algumas fotos tremidas.


Resolvemos provar finalmente as famosas salsichas vienenses. Eu pedi a mais simples, com salada de batatas, enquanto o Eduardo foi mais ousado desta vez. Apostou na salsicha recheada com queijo.


Devidamente alimentados, tentamos subir o caminho até o Gloriette, mas de longe, ele parece muito mais perto do que de fato é. Assim, as barrigas cheias nos convenceram a retornar da metade do trajeto. Paramos num monumento mais próximo ao palácio, tiramos algumas fotos e caminhamos um pouco mais por entre os jardins.









Despedimo-nos do Schönbrunn com a certeza de que aproveitamos muito pouco daquele lugar esplêndido, que merece uma visita de um dia inteiro. Em contrapartida, vimos que os vienenses sabem exatamente como curtir ao máximo o palácio, pois foi possível conferir que não eram só os turistas que frequentavam o lugar. Mais do que nos outros parques da cidade, pudemos ver diversas pessoas que faziam jogging nos campos enormes e planos do Palácio de Verão dos Habsburgs, provavelmente aproveitando passes diferenciados para moradores.

Fizemos o caminho contrário do metrô, dessa vez, sem errar nada, mas só conseguimos chegar no Museu de Belas Artes uma hora antes do fechamento. Ao menos, conseguimos aproveitar melhor os Caravaggios, com destaque para a Madonna do Rosário.





Saindo do Museu, resolvemos finalmente fazer nosso tour “Before Sunset”, repetindo diversos locais visitados pelo casal Jesse e Celine. Já eram 18 horas, mas nosso dia estava longe de terminar! 


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